Sobre o Apóstata

O termo apóstata vem do grego e, a rigor, significa “alguém que se afasta de algum lugar, de alguém ou de algo”. No contexto religioso ou ideológico, traz a ideia de alguém que se afasta do núcleo do conjunto de crenças ou postulados professados por um grupo de pessoas, principalmente daqueles dogmas tidos como irrecusáveis e compulsórios.

No Cristianismo, e mais ainda nas vertentes católicas romana e ortodoxa grega, encontramos:

  • o herege: que aceita parte dos dogmas e, mesmo em estado irregular, continua na comunhão da Fé comum, incorrendo em heresia (do grego hairesía);
  • o cismático: que é herege e, adicionalmente, se afasta da Comunhão do grupo anterior para forma uma seita a partir dos ritos e tradições do dito grupo, provocando, então, um cisma (do grego schisma, ou “cisão, separação”); e
  • o apóstata: afasta-se da Comunhão do grupo, por motivos pessoais ou incompatibilidade de crenças e posicionamentos, estando, assim excomungado por decisão própria e/ou por decreto de autoridade hierárquica, após caracterizada a apostasia (do grego apóstasía, “ato de colocar-se longe, de incidir em apóstase“).

Por extensão, me declaro um apóstata a partir deste momento, fora da Comunhão Católica em que me encontrava anteriormente (ainda que de forma imperfeita). Não sou um herege, pois não tenho como aceitar apenas parte dos dogmas, já que suspeito fortemente de adulteração até mesmo dos poucos que ainda eu seria capaz de professar. Não sou cismático, devido ao fato óbvio de que não pretendo fundar uma nova religião nem uma seita. Sou o apóstata, portanto, que escreverá neste site.

Este é um trabalho solitário. Não pretendo converter nem fazer desgarrar membros de quaisquer igrejas ou seitas. Acho que cada um tem o direito de seguir, livremente, a ilusão que bem entender.

pergaminho

Porém, no âmbito desta minha curta existência, não me darei ao luxo de calar-me diante dos graves deveres da Consciência, a saber, os de buscar a Verdade acerca das religiões ditas monoteístas e o de compartilhar os resultados desta Busca, corretos ou falhos, com o máximo número de pessoas. Afinal, como poderão constatar os leitores sinceros, ainda que eu incorresse em sérios erros de interpretação, eu não seria o primeiro a cometer tais erros. No entanto, não os cometeria, jamais, por má fé ou em busca de vantagens pessoais.

A partir de questionamentos antigos, cujas respostas se amontoam já em centenas de links e materiais de estudo, me vi obrigado a organizar, racionalmente, tão grande número de conhecimentos e pesquisa na forma de um website. Foi aí é que surgiu-me a ideia de criar o site do Apóstata. Eis que se levanta um espaço para a discussão madura (porém, jamais politicamente correta) e coerente sobre aqueles problemas teológicos e históricos que tantos cristãos (em sua maioria) costuma “varrer para debaixo de seus tapetes”.

Ebrael Shaddai (Júlio César Coelho).

Florianópolis, 7 de abril de 2015.

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