Sobre a mitra eclesiástica

Mitra é aquela cobertura de cabeça (alguns, por falta de termo adequado, chamariam “chapéu”) que prelados católicos, ortodoxos orientais e anglicanos usam como distinção eclesiástica. Obviamente, destacamos seu uso entre os prelados católicos, que nos são aqueles mais próximos. Desde os abades, passando por bispos, cardeais, até o Papa – todos eles costumam usá-lo em celebrações litúrgicas.

As publicações católicas enfocam sua função simbólica como “capacete”, um distintivo de autoridade espiritual e temporal diante da comunidade de fiéis (o “rebanho”) e, inclusive, de seus adversários. É o caso da Enciclopédia Católica Online [1] (em espanhol), que nos conta coisas interessantes e que fiz questão de traduzir aqui para os leitores:

A mitra tem sido objeto de objeto de investigação sobre seu aparecimento e sua forma original. Sabe-se que essa cobertura [de cabeça] foi utilizada pelos [antigos] sacerdotes persas (com sotanas brancas).

(…)

Deduz-se, pelo que se encontra escrito em alguns códices, que a mitra começou a ser usada a partir de meados do séc. X, mas, a princípio, seu uso particular era concedido apenas por privilégio pontifício [ou seja, nem todos os prelados poderiam usá-la].

Segundo a mesma publicação, o verbo mitrar vem do latim e, por extensão, significa obter o episcopado. Mitra, em latim, era um cinto ou faixa com que se envolvia a cabeça. Porém, segundo a mesma página católica, a ligação com Mithra, a divindade solar dos persas e muito cultuada no Império Romano pré-cristão, não é apenas mera coincidência semântica. Além de Mithra, na tradição persa, ser tomado como Divindade da Luz, tinha como simbolismo particular o “pacto” ou tratado. Avesta Mithra era, portanto, a “testemunha de um pacto” ou “acordo”.

A forma atual da mitra eclesiástica, no entanto, nos leva a outras considerações. Ela lembra muito a cobertura de cabeça usada pelos sacerdotes de Dagom, o deus-peixe cultuado pelos filisteus, segundo a Bíblia. Dagon também era adorado entre os babilônios sob o nome Dagan. Aí, por fim, nos perguntamos se o peixe, como símbolo cristão, remete somente ao “pescador de homens” que seria Jesus.

Abaixo, vemos uma cobertura de cabeça atribuída a Amon-Rá, o deus-sol egípcio, portanto um cetro e a cruz egípcia (“ankh”).

Não podemos crer que os prelados da Igreja não soubesse dessas coincidências da mitra com outras tradições sacerdotais. Não havia ciência arqueológica naqueles séculos passados, mas a Igreja estavam próximos demais das fontes antigas e das tradições orais dos povos para desconhecerem seus usos litúrgicos.

***

REFERÊNCIA:

[1] ENCIC. CATÓLICA ONLINE. Mitra (Wiki, online). Disponível em < http://ec.aciprensa.com/wiki/Mitra >. Acesso em 7 de abril de 2015.

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